Os batedores retornam.
Eles descem de suas montarias e rapidamente são cercados pelos outros guerreiros. Um deles fala alto para que todos pudessem ouvir.
- Eles não retornaram. Estão acampados. Pelo que vimos, haviam mandado alguns batedores para averiguar o que aconteceu com as armas de guerra. Apenas batedores. Não recuaram a posição.
Kishev se aproxima dos dois abrindo caminho entre os colegas.
- Então eles já sabem o que aconteceu – diz ele em tom afirmativo.
- Sim… mas não foi apenas isso que vimos – diz o primeiro interrompendo a frase e olhando para seu companheiro de patrulha que continua a sentença de onde havia parado.
- Vimos claramente quando apontavam para o sul. Eles sabem que rumamos para o sul.
Nalat então toma a palavra num impeto. As palavras de Tai ainda ecoavam em sua mente e agora faziam sentido.
- Tem idéia de quantos são?
- Talvez três mil homens.
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Tai conduz Tempestade e Trovão, chamando os outros escudeiros que estavam ajudando com o fogo. Logo as montarias estavam no lugar, prontas para iniciar a jornada. Riev ia na frente, ao lado de seu mestre.
A cavalgada inicia em silêncio. Para trás ficam apenas os corpos dos inimigos e as colunas em chamas que já foram mais ameaçadoras. As máquinas de guerra agora eram apenas fogueiras que aqueciam a manhã fria. A fumaça se ergue massiva, intensa e negra. De longe seria vista. Tai não tinha a menor idéia do que se passava na cabeça do general do exército inimigo naquele momento.
- Eles vão querer vingança. Vingança contra os que fizeram isso com suas máquinas de guerra.
- Por que acha isso, Tai?
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A noite já não tardaria a cair. Desde que Nalat havia dito que teria uma tarefa para ele, não pronunciou nenhuma outra palavra. Era o mais completo silêncio. Apenas o monótono som das patas dos cavalos no chão, com aquele ritmo contínuo.
Quando a ansiedade já havia passado, dando lugar para o sono, Nalat segura o braço de seu escudeiro.
- Tai. Você vai com os escudeiros em direção ao castelo, sempre flanqueando e observando. Fique muito atento a tudo e a qualquer movimento. Nós não atacaremos montados, nossa velocidade portanto será muito baixa.
- E se precisarem dos cavalos? – indaga Tai.
Nalat levanta a outra mão e aponta com o dedo indicador para o jovem.
- É exatamente aí que você entra, Tai. Você disse que monta muito bem, não é? Teve treinamento militar, não é?
- Sim.
- Tai… se isso é mentira, por favor fale agora. Preciso que você seja sincero… Você realmente sabe montar? Não estou falando de um galope. Estou falando de montar com firmeza e velocidade.
Tai confirma com a cabeça.
- Sim senhor. Eu sei montar muito bem. É verdade, senhor.
- Se você está dizendo, principalmente numa situação como essa, eu confio em você – a voz de Nalat era muito séria e grave – Preste muita atenção garoto… Não existem batedores nos flancos protegendo as armas. Eles estão confiando demais na sorte. Eles avançaram todos dos soldados e deixaram um contingente menor para trás. A sua tarefa é simples, mas muito importante. Você vai se separar dos escudeiros e vai nos flanquear. Vai ficar de olhos abertos e ouvidos atentos, entendeu? Você não vai conseguir ver muita coisa, eu acho isso pelo menos… Justamente por isso será difícil. Você será a ligação entre os escudeiros e nós. Se precisarmos dos cavalos, avisaremos.
Sem mostrar medo algum pela tarefa de grande responsabilidade, Tai responde:
- Sim senhor. Como irá avisar?
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A marcha continua e o sol começa a bater em seus rostos. O calor tênue do sol trazia uma sensação de segurança. Ao menos o frio iria diminuir um pouco. A primavera ainda não havia se estabelecido e o vento cortante da noite era apaziguado pelo novo dia. Os cavalos sempre no mesmo ritmo era quase monótono. Os guerreiros de um lado, escudeiros do outro.
Durante a marcha, Tai observa que a sombra na cela estava diferente, estava indo mais para o lado e também cavalgavam em maior velocidade. Ele então percebe que estava sendo conduzido para a direita de forma tão lenta que nem havia percebido a nova direção. Ele então tenta se guiar pelas estrelas e pela posição da lua. Já fazia alguns meses que não precisava fazer isso.
- Estamos indo para o norte?
O mestre olha para Tai, mas já não tinha aquela já batida expressão de surpresa. É claro que o garoto sabia se guiar muito bem.
- Sim. Estamos começando a dar a volta atrás da linha inimiga.
Tai engole em seco.
- Atrás da linha? Fomos além da fronteira?
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No alojamento, Tai deita em sua cama e fica olhando para o nada. O sol brilhava lá fora, mas não era para ele. Sentia-se cansado e sem nenhuma esperança, ele acaba adormecendo, mas ainda assim, obedecendo a ordem que lhe foi dada.
Os gritos e a movimentação dos soldados acaba por acordar Tai. Mesmo sabendo que não deveria, ele corre para a porta e abre. Era uma correria geral para lá e para cá. No meio da confusão, sem sair do alojamento, ele vê Leni passando.
- Leni! – grita ele – O que está acontecendo?
Leni pára no meio do corredor e grita:
- Angren está avançando pela fronteira. A guerra começou. A guerra começou.
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